quarta-feira, março 15, 2006

Protesto contra o desgoverno tucano de Jatene

EDUCAÇÃO

Alunos “enterram” ex-secretária

José Clemente Schwartz

Professores, funcionários, técnicos e alunos de rede estadual de ensino promoveram o enterro simbólico da ex-secretária de Educação, Rosa Cunha, ontem, em frente à Escola Souza Franco. A manifestação foi marcada por protestos, denúncias de irregularidades e de perseguições políticas e, principalmente, pela satisfação dos presentes que comemoravam a saída da secretária queimando um caixão que simbolizava o “enterro” da ex-secretária em plena avenida Almirante Barroso, sob salva de palmas.
Desde às 17h que o carro som da União dos Estudantes Secundaristas de Belém (Uesb) anunciava o que viria logo mais. Enquanto os manifestantes aguardavam a chegada dos coordenadores do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) e da “urna fúnebre”, as palavras de ordem dos militantes da Uesb incitavam os alunos que estavam dentro da escola aguardando a hora do portão ser aberto. Com a abertura do portão, às 17h45, a manifestação tomou corpo e, minutos depois, invadiu a avenida Almirante Barroso.
Quando chegou a picape trazendo a urna com uma boneca dentro para, enfim, fazer o enterro simbólico da secretária, os estudantes agiram antes dos técnicos, professores, funcionários e líderes do movimento estudantil. Sob queima de fogos e salva de palmas, os alunos levaram o caixão para o meio da avenida e queimaram-no com grande euforia.
Para o coordenador geral do Sintepp, Antônio Carlos, o ato simboliza uma mudança que será mantida com a pressão da classe. “Não vamos deixar mais que as decisões sejam tomadas a mercê de interesses particulares. Estamos programando uma paralisação estadual para o próximo dia 23, que significará o início de uma nova política de educação”, disse Antônio Carlos.
A deputada estadual Araceli Lemos (PSOL), que é professora, e sempre esteve ao lado da classe, apoiando na luta por melhores condições da educação no Estado, se pronunciou durante o ato. Ela ressaltou que o período em que Rosa Cunha esteve à frente da Secretaria de Educação foi marcado pelo prejuízo. “Essa Rosa só tinha espinhos que sangraram a educação no Estado. Temos mais é que comemorar a saída da megera da educação”.
Durante o ato, a professora concursada Socorro Jucá também mostrou sua indignação. Ela contou que foi transferida, das escolas Ulisses Guimarães e Augusto Meira, para o DAM/Seduc, no dia 8 de março, por perseguição política. “Ironicamente, no Dia Internacional da Mulher, eu fui transferida sumariamente por perseguição de uma mulher, porque eu estava denunciando irregularidades e falta de estrutura das escolas que trabalhava junto à imprensa e ao Ministério Público. Desde taxas para fazer provas os alunos são obrigados a pagar até a falta de água para os alunos e professores beberem fazem parte do relatório de irregularidades que vão contra a Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (LDB)”, argumentou, enumerando uma série de procedimentos praticados pela ex-secretária, opostos ao que prevê a LDB, alguns relacionadas ao setor administrativo e outros, às necessidades básicas de alunos e professores para que desempenhem suas atividades dentro das escolas.
A manifestação foi pacífica. Após o caixão ser queimado, houve a dispersão e o trânsito, que fora interditado, voltou ao normal.


Fonte: Diário do Pará

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