Entenda os danos que cada componente do cigarro causa no seu organismo
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu o uso de aditivos como chocolate, menta, canela e frutas em
cigarros
e derivados de tabaco vendidos no país. As marcas de cigarro com sabor
representam 22% das que estão à venda no país. Em vendas, os mentolados
respondem por 3% do total.
Para a diretoria da Anvisa, os
aditivos aproximam os jovens do vício, fidelizam o consumo, mascaram o
gosto ruim, diminuem a tosse, facilitam a tragada e ajudam a produzir
dependência.
O documento da agência prevê 12 meses para alteração de rótulos e do
processo produtivo dos cigarros e outros seis meses para a retirada dos
itens do mercado. Cigarrilhas, fumo para narguilés ou qualquer outro
tipo de tabaco que use aditivos artificiais também terão a fórmula
modificada. Para esses casos, o prazo de ajuste será mais longo, de 18
meses mais seis.
O
tabaco
é mundialmente conhecido por seus malefícios. Mas, afinal, será que nós
temos consciência de todos os malefícios que o cigarro pode causar a
nossa saúde? E é por isso que conversamos com especialistas e
descobrimos quais os efeitos devastadores que cada uma das principais
substâncias do cigarro pode causar no organismo.
Tudo que tem no cigarro faz mal?
Sim, sem qualquer exceção. De acordo com o pneumologista Alberto de
Araújo, presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de
Pneumologia e Tisiologia, não existe nenhum componente no cigarro que
não seja nocivo a nossa saúde. "Alguns componentes nós sequer
conhecemos".
O médico afirma que já foram identificadas mais de 5 mil
substâncias na fumaça do tabaco, dentre elas gases e partículas
cancerígenas, agrotóxicos usados durante o plantio da folha de tabaco e
que são mantidos no processo de ressecamento para a fabricação do
cigarro, dentre outros. Antes de mais nada é preciso entender que não
existe limite seguro de consumo do tabaco. "Diferente do álcool, ele não
pode ser consumido com moderação", afirma Alberto.
A vilã mais popular
Quando se fala sobre cigarro e seus efeitos nocivos, logo pensamos na
nicotina. Embora esteja longe de ser a única vilã presente no tabaco,
ela é a principal agente causadora do vício.
Os especialistas afirmam que a nicotina consegue fazer em apenas
10 segundos todo o percurso por nosso corpo: ser inalada e absorvida
pelo pulmão, entrar em nossa corrente sanguínea e desencadear um impacto
cerebral, liberando substâncias que propiciam uma imensa sensação de
prazer. "Essa rapidez de impacto cerebral só é comparada com a cocaína",
conta Alberto.
O
vício
começa justamente quando a nicotina se liga aos receptores do nosso
sistema nervoso, desencadeando a liberação de diversas substâncias, como
dopamina, que dão a sensação de prazer, melhoram da memória, deixam a
pessoa mai alerta, tiram o apetite, entre outros. Esses sintomas são os
que a pneumologista Maria Vera Castellano, membro da Sociedade Paulista
de Pneumologia, chama de reforço positivo.
Porém, quando o nível de nicotina no sangue cai, isso mais ou menos umas
duas horas depois do primeiro cigarro, a pessoa sente falta desse
reforço positivo e tem uma crise de abstinência. Os sintomas
relacionados à abstinência, ou reforço negativo, são irritação,
nervosismo, dor de estômago, insônia e aumento do apetite.
"A dependência se dá pela alternação do reforço positivo com o
negativo", diz a pneumologista. Quando o fumante sofre uma crise de
abstinência, procura fumar outro cigarro para sentir novamente o reforço
positivo. E assim se inicia o ciclo vicioso.
As doenças relacionadas à nicotina são: aumento do ritmo cardíaco,
infarto
agudo do miocárdio, derrame cerebral, angina, elevação do colesterol
ruim (LDL), menopausa precoce, gastrite, úlcera gástrica, enfisema
pulmonar, bronquite crônica, doença obstrutiva arterial periférica,
tromboangeite obliterante, obstrução progressiva das artérias que pode
culminar em amputação, além dos sintomas agudos como irritações nasais,
na garganta e nos olhos, tonturas e dor de cabeça.
Os perigos do alcatrão
Alcatrão é o nome que se dá
ao conjunto de substâncias presente no tabaco e que são absorvidas pelo
fumante quando ele acende o cigarro. Ele é responsável pelas manchas na
pele, nos dentes e dedos do fumante, além de se depositar nos pulmões,
deixando-o com uma coloração castanha escura. Segundo a pneumologista
Maria Vera Castellano, ele está relacionado diretamente a cânceres no
pulmão, bexiga, vias aéreas e brônquios.
Entre os seus compostos são encontrados cerca de 43 substâncias cancerígenas, entre elas:
Benzeno: ele está presente na composição de
detergentes e da gasolina, além de ser utilizado como pesticida. "Ao ser
inalado, ele é absorvido pelos pulmões, onde provoca danos
irreversíveis", diz Alberto. As doenças relacionadas à inalação do
benzeno são enfisema pulmonar, asma (até nas crianças e adultos que são
vítimas do fumo passivo) e câncer no fígado. "A exposição ao benzeno
durante mais de 20 anos pode inclusive provocar leucemia", completa
Alberto.
Polônio: é um elemento radioativo, extremamente
prejudicial a nossa saúde. A radiação produzida por esse isótopo, em
situações normais, é bloqueada pelas camadas da nossa pele. Porém,
quando inalada via fumaça, ela se deposita nas vias aéreas, emitindo
radiação às células a sua volta, contaminando-as e causando tumores
pulmonares.
Níquel: material usado na produção de aço
inoxidável, moedas e pilhas alcalinas. O pneumologista Alberto de Araújo
conta que, quando inalado, o níquel deposita-se no fígado, rins,
coração, pulmões, ossos e dentes. "Sua inalação provoca alterações no
estômago e aumenta as chances de infecções respiratórias e câncer", diz o
especialista.
Metais Tóxicos
No cigarro também é possível encontrar uma série de metais pesados, que
são extremamente tóxicos ao nosso organismo e se depositam
principalmente no fígado e rins. "O corpo leva de 10 a 30 anos para
conseguir eliminar essas substâncias", diz Alberto. Ele ainda afirma que
pessoas com mais de 20 anos de vício podem não conseguir reverter todas
as agressões, podendo causar complicações em algum desses órgãos.
Dentre os metais pesados presentes no cigarro, os principais são esses:
Arsênio: ele é usado como pesticida durante o plantio
do tabaco e não se perde durante a fabricação do cigarro. Uma vez dentro
do corpo, ocasiona lesões no fígado, rins, coração, pulmões, ossos e
dentes, onde fica armazenado.
Acetato de chumbo: comum em tinturas de cabelo,
o acetato de chumbo afeta principalmente os pulmões e rins. "Quando em
grandes quantidades, pode incapacitar ou dificultar a ventilação dos
pulmões, gerando falta de ar, enfisema e câncer de pulmão", diz Maria
Vera.
Gases que matam
A fumaça que o fumante libera na
atmosfera ao tragar o cigarro também é um veneno, não só para ele como
para as pessoas que estão a sua volta e podem inalá-la. Os principais
componentes da fumaça do cigarro e os riscos relacionados a eles são:
Monóxido de carbono: poluente muito comum na
atmosfera, em ambiente fechado é o principal gás componente da poluição
do tabaco. Os especialistas explicam que o monóxido de carbono, quando
inalado, compete com o oxigênio na ligação com a hemoglobina.
Ou seja: ele toma o lugar do oxigênio na ligação com nossas células
sanguíneas, dificultando o transporte de oxigênio por todo nosso corpo,
causando assim dificuldade de respirar. Ao se ligar às nossas hemácias
ele também deixa o sangue mais grosso, fazendo com que nosso corpo tenha
que produzir mais hemácias para suprir a quantidade parasitada pelo
monóxido de carbono.
Por deixar nosso sangue mais denso, o monóxido de carbono pode facilitar
a formação de plaquetas, que virarão trombos, que poderão obstruir as
artérias e dar margem a doenças cardíacas e derrame cerebral. "Inclusive
pessoas que não fumam, mas que já apresentam algum problema
cardiovascular, podem sofrer de dificuldade respiratória, asma e até
ataque cardíaco ao inalar a fumaça do cigarro", conta Alberto.
"Se você tem muito monóxido de carbono no corpo pode ter
tontura, diminuição do nível de consciência e desmaios", diz Maria Vera.
Cetonas: mais conhecido como removedor de esmaltes em forma de acetona, as cetonas são um produto entorpecente e inflamável.
A
inalação das cetonas em pequenas quantidades irrita a garganta e causa
tonturas e dores de cabeça. Porém, se inalada em grandes quantidades
pode causar uma intoxicação grave e levar a pessoa à morte.
Terebentina: é uma substância tóxica obtida
através da extração de resinas de pinheiros. Muito conhecida como
diluente e removedor de tintas a óleo. Ao ser inalada provoca irritação
nos olhos, vertigem, desmaios e lesões no sistema nervoso, dependendo da
quantidade.
Cigarros mentolados são mais ou menos vilões?
Os
cigarros ditos mentolados são aqueles que possuem sabor, como menta e
cravo. Muito popular entre adolescentes por ter um gosto mais doce do
que os cigarros normais, os mentolados costumam ser o primeiro cigarro e
porta para o vício de diversos jovens.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Medicina e Odontologia de
New Jersey, nos Estados Unidos, sugere que os cigarros mentolados fazem
com que a pessoa tenha mais dificuldade para largar o vício. E isso se
dá justamente por seu gosto refrescante, que mascara o amargo da
nicotina e alcatrão.
A pesquisa revela ainda que as pessoas que fumam cigarros
mentolados tendem a fumar menos cigarros por dia, porém, tragam mais
profundamente, ficando assim expostas às mesmas quantidades de
substâncias nocivas.
Segundo dados da Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária), o número de marcas de cigarros com
sabor já representa 22% dos tipos à venda.Uma pesquisa feita pelo
Instituto Nacional de Câncer aponta que 45% dos fumantes de 13 a 15 anos
consomem os tais cigarros com sabor.
O presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de
Pneumologia afirma que os aditivos presentes no cigarro mentolado não
amenizam o efeito nocivo do tabaco, porém ainda não é possível medir as
consequências do consumo desses aditivos. "Não sabemos como esses
produtos são adicionados ao tabaco, já que é uma informação
confidencial. Por isso é difícil dizer quais são as consequências da
ingestão dessas substâncias", afirma.
Fonte MInha Vida