domingo, dezembro 11, 2005

Manifesto denuncia risco de golpe contra Chávez

09.12.05 - VENEZUELA

Adital - Intelectuais de todo o mundo denunciam tentativa de golpe de Estado contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez. O manifesto é assinado por nomes como Tariq Ali (Paquistão), Eduardo Galeano (Uruguai), Emir Sader (Brasil), Ignacio Ramonet (Espanha), Bernard Cassen (França), Atílio Borón (Argentina), Michael Löwy, João Pedro Stédlie e José Dirceu, do Brasil, e denuncia uma nova tentativa de interromper o processo democrático venezuelano.

"Nos últimos seis anos temos sido testemunhas de como milhões de venezuelanos tomaram em suas mãos seu próprio destino contra toda sorte de adversidades para construir uma sociedade de inclusão e de justiça. Fortalecido pela Constituição Bolivariana - uma das mais democráticas do mundo -, o povo venezuelano ratificou sua vontade fazendo uso do voto em sete oportunidades nos últimos seis anos. No entanto, uma elite minoritária com o apoio do Governo dos Estados Unidos e dos meios de comunicação tentou, por várias oportunidades, por fim a este processo de transformação", declara o manifesto.

"Tentou um golpe de Estado em abril de 2002, que o povo rechaçou saindo às ruas, tendo a Constituição como arma. Em dezembro de 2002, tentaram sabotar a principal indústria do país provocando danos profundos à economia nacional. Ambos os atos demonstraram um desprezo pela democracia, pelo estado de direito e pela soberania nacional".

Para os intelectuais e políticos que assinam o manifesto, a poucos dias das eleições parlamentar, a oposição minoritária da Venezuela, diante de uma segura derrota eleitoral, utiliza o abstencionismo como chantagem e conclamou a retirada de seus candidatos alegando falta de confiança no processo e nas autoridades eleitorais.

"Apesar das últimas eleições na Venezuela terem se caracterizado por sua transparência, a qual foi respaldada por múltiplos observadores internacionais, a oposição condicionou sua participação a uma série de novas exigências. No entanto, apesar destas exigências terem sido satisfeitas pelas autoridades eleitorais, a oposição cinicamente abandonou seu compromisso retirando-se da disputa. Esta é uma estratégia para deslegitimar as instituições venezuelanas, o que só reflete seu desejo de prejudicar o próprio conceito de democracia, violentando o direito que um povo tem de escolher seu próprio destino".

Também assinam o manifesto James Petras, dos Estados Unidos, Samir Amin (Egito), François Houtart (Bélgica), Richard Gott (Inglaterra), Fernando Morais (Brasil), Jean-Pierre Chevenement (França), Georges Sarre (França), Sergio Lobo (Venezuela), Robin Blackburn (Inglaterra), Socorro Gomes (Brasil), Vanessa Grazziotin (Brasil), Carlos Lima (Brasil), Sydnei Liberal (Brasil), Paul-Emile Dupret (Bélgica), Rémy Herrera (França), Valter Pomar (Brasil), Aminata Traore (Mali), Leila Jinkings (Brasil), Ramon Chao (Espanha) e Breno Altman (Brasil).

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