Rondônia é um estado sob suspeita. Autoridades dos três Poderes estão sob investigação e a maior parte delas pode ficar sem punição. Na terra em que os chefes do Legislativo e da Justiça foram parar na cadeia, a impunidade pode ser perpetuada pelas urnas. Dos 24 parlamentares de Rondônia, 23 estão sendo investigados e todos são candidatos - 22 à reeleição e um deles a deputado federal. Um novo mandato pode garantir que continuem sem ser presos. “A maioria dos deputados, pela análise das provas, poderia estar presa se não fosse a imunidade parlamentar. A Polícia Federal tem provas para indiciar os 23”, afirma o superintendente da PF em Rondônia, Joaquim Mesquita.
Os deputados parecem saber disso. Na semana passada, a mobilização na Assembléia para tentar libertar o presidente da Casa, José Carlos Oliveira, o Carlão, apontado como chefe da organização criminosa que teria desviado R$ 70 milhões, foi interrompida para que os deputados fossem ao interior do Estado fazer campanha. Mesmo preso, os carros com propaganda de Carlão continuam circulando em Porto Velho. Único parlamentar que não está sob investigação da PF, o petista Neri Firigolo pode ser o que enfrentará maior dificuldade para se reeleger. Ele acha que sai em desvantagem contra os seus colegas, que estão sendo investigados por manterem uma folha de pagamentos paralela da qual fazem parte, segundo a PF, funcionários fantasmas e assessores que devolvem aos seus chefes parte do salário que recebem. “Saio em desvantagem, porque jamais vou comprar um voto ou fazer um favor e cobrar do eleitor, pois assim o transformaria num trapo humano. Não faço isso porque me sentiria pior do que eles”, diz Firigolo.
A situação no Legislativo de Rondônia reflete a realidade dos três Poderes do Estado. O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, foi afastado do cargo na semana passada depois de ser preso por participar da rede de proteção à organização sediada na Assembléia. O ex-procurador-geral de Justiça de Rondônia, José Carlos Vitachi, foi detido pelo mesmo motivo e o chefe do Ministério Público, Abdiel Ramos Figueira, é investigado pela Corregedoria do órgão.
GOVERNADOR - O Executivo não está fora das investigações: Carlos Magno, o ex-chefe da Casa Civil e ex-candidato a vice na chapa do governador Ivo Cassol, está entre os presos. O próprio governador responde a processo no Superior Tribunal de Justiça, acusado de participar de um esquema para fraudar licitações na prefeitura de Rolim de Moura (RO), à época em que era prefeito. Cassol também é investigado no STJ por causa de uma denúncia de que teria feito aos índios da Reserva Roosevelt uma proposta para explorar diamantes. (PORTO VELHO-RO - AG)
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