sexta-feira, agosto 04, 2006

Bando assalta Banco da Amazônia em Nova Ipixuna

VIOLÊNCIA Escudo humano, tiros a esmo e fuga cinematográfica com R$ 157 mil marcaram o dia de ontem no sul do Pará

Sete homens armados com pistolas automáticas e metralhadoras assaltaram, ontem, ao meio-dia, a agência do Banco da Amazônia no município de Nova Ipixuna, no sul do Estado, levando a quantia de R$ 157 mil. Durante o roubo, eles renderam os funcionários e clientes que se encontravam no local.
Para realizar o assalto, os bandidos seqüestraram pela manhã um microônibus, no quilômetro 34 da Rodovia PA-150. Chegando à cidade, rumaram para a agência do Basa. Em frente ao banco, um dos ladrões desceu usando um dos passageiros como escudo e abriu caminho disparando vários tiros de pistola contra a porta da agência.
Além de amedrontar as pessoas que estavam às proximidades do banco, eles surpreenderam e desarmaram o guarda de segurança (da empresa Fiel), Eliel Cardoso Moreira, que não teve como reagir. Sempre agarrado ao refém, o líder do bando entrou na agência, seguido de mais quatro companheiros. Aos gritos, mandou todos deitarem no chão. Naquela hora, entre funcionários e clientes, doze pessoas estavam na agência.
Em seguida, apontaram as armas em direção ao tesoureiro Raimundo Nonato e ao gerente Adelson Araújo, exigindo que abrissem o cofre, que fica num compartimento dos fundos do prédio. Em poucos minutos, a quadrilha recolheu todo o dinheiro guardado no banco - R$ 157 mil. Enquanto isso, os outros assaltantes recolhiam carteiras, relógios, celulares e jóias de clientes e funcionários.
Para sair da agência, os marginais puseram todos os funcionários e os passageiros de volta no microônibus e partiram em direção a Marabá. A cerca de 500 metros da agência, eles desceram do veículo e fizeram parar um caminhão (placas AJY-3245) que transportava madeira. Renderam o motorista fazendo com que deixasse o caminhão atravessado na pista, impedindo a passagem de veículos. Levaram a chave, abandonaram o microônibus com os reféns e fugiram num automóvel Gol, de cor prata, também roubado na estrada. Só então seguiram viagem rumo a Marabá. A PA-150 ficou interditada até 17h, quando o caminhão foi finalmente retirado da pista.

CLIMA DE TERROR - Ainda nervoso, o motorista do caminhão, o cearense José Vieira Gomes, agradecia a Deus por ter escapado com vida, junto com a mulher Creusa e o filho de seis anos, que o acompanhavam na viagem. Até às 18h, a Polícia Militar, sob o comando do capitão Silva, com quinze homens e quatro viaturas, fazia buscas na área. No início da noite, a Polícia encontrou o automóvel Gol abandonado pela quadrilha alguns quilômetros à frente.
É a segunda vez que a agência do Banco da Amazônia em Nova Ipixuna é assaltada. A primeira aconteceu no primeiro semestre do ano passado, quando os assaltantes renderam e usaram a família do gerente para executar o crime.
A população da cidade mostra-se aterrorizada com a ousadia dos assaltantes, que dispararam vários tiros nas ruas próximas à agência, colocando em risco a vida de quem passava por ali naquele momento. Os moradores reclamam do clima de insegurança, queixando-se que a Polícia está desaparelhada para enfrentar os bandidos.

Pânico no transporte alternativo

O microônibus de placa MWB - 2470, de Jacundá, da empresa de transporte alternativo Por Amor a Jacundá, foi interceptado na Rodovia PA-150 (Km 19 - no sentido Morada Nova a Nova Ipixuna) e os passageiros levados à agência bancária. O veículo transportava 20 passageiros adultos e 6 crianças, mais motorista e trocador. “Nós só queremos o dinheiro que esses ladrões de Brasília tão roubando de vocês”, dizia constantemente um dos assaltantes em referência à máfia das ambulâncias.
Tudo começou quando o motorista do carro de transporte de passageiros percebeu que dois homens acenaram para que o veículo parasse. Com aparência de passageiros comuns, o trocador chegou a brincar com um dos integrantes da quadrilha. “Vocês tão com fome?” perguntou o trocador. Em seguida, os dois assaltantes ordenaram que todos os passageiros ficassem de cabeça baixa. “Aqui é um assalto”, disse um deles. Em seguida, ordenaram que o veículo retornasse, quando entraram mais três comparsas.
“Vocês serão escudo humano”, alertou um integrante do bando. Ao chegar na agência bancária, o ônibus ficou estacionado na frente do Basa e os passageiros em forma de escudo. Um assaltante com um passageiro entrou no banco depois de atirar nas portas da agência.
No interior do banco, o gerente de Negócios da agência de Marabá, Adeílson Alves, que substituía o gerente Ítalo Augusto, foi obrigado a abrir o cofre. Em pouco mais de 10 minutos de pânico e terror, a quadrilha limpou todo o dinheiro do banco.

Polícia se mobiliza, mas não localiza acusados

O gerente substituto Adelcio Alves de Araújo (34) disse que todos integrantes do bando estavam armados, alguns com metralhadoras semi-automáticas. Ele ressaltou que apesar da violência com que os meliantes invadiram o banco, ninguém foi molestado no local.
O ônibus com os reféns foi abandonado cerca de mil metros depois, já na PA-150, no sentido de Marabá, mais precisamente na cabeceira de uma ponte. A fuga dos assaltantes se deu em um automóvel Gol prateado - tomado na estrada de uma sargento da Aeronáutica que transitava rumo à Belém -, deixando para trás um rastro de confusão e um engarrafamento quilométrico na PA-150, principal via de ligação entre a capital e as regiões sul e sudeste do Estado. O tráfego na área só foi retomado com um desvio improvisado por dentro de uma propriedade rural, até que fossem recuperados os pneus da carreta.
As polícias Civil e Militar, até ontem à noite, diligenciavam no sentido de capturar a quadrilha. Inclusive, entraram em ação policiais da Divisão de Investigações e Operações Especiais e da Divisão de Repressão e Combate a Crimes Organizados, por onde deverá transcorrer o inquérito a ser aberto para apurar os fatos.

Fonte: Mailza Lisboa
Especial para o DIÁRIO, com Antonio Barroso, de Jacundá, e Ulisses Pompeu, da Sucursal Sul do Pará

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