quarta-feira, setembro 21, 2011

Bancários precisam marcar greve para arrancar o que querem

Campanha Salarial

21/09/2011

A Campanha Salarial dos bancários não está fácil. Depois da apresentação do lucro líquido dos seis maiores bancos no primeiro semestre deste ano, de R$ 27 bilhões, os bancários estão reivindicando a sua fatia desse bolo, entretanto, parte das direções da categoria não defendem essa luta com firmeza.

Os lucros recordes dos bancos se devem, em grande medida, aos péssimos salários e ao ritmo cada vez maior de trabalho. Por isso, a categoria discute que a greve é o momento para repartir esse lucro e melhorar salários e condições de trabalho.

Banqueiros espertos - Os banqueiros têm afirmado que a crise econômica mundial não permite conceder reajustes acima da inflação ou estabelecer novos direitos.  Dilma e seus asseclas repetem o mesmo. Guido Mantega afirmou que os funcionários das estatais receberiam somente a inflação.

O negociador e diretor do Banco do Brasil, Carlos Eduardo Leal Neri, é um exemplo desta postura: “Não existem sobras no lucro do banco e qualquer benefício significa, na verdade, aumento no dispêndio da empresa”.

A negativa ao conjunto das reivindicações apresentadas na mesa específica da CEF mostra política semelhante. Mas estas afirmações não têm nenhuma base na realidade. Os lucros dos bancos continuam crescendo evidenciando que os efeitos da crise mundial não chegaram neste segmento.

Os banqueiros ofereceram somente 7,8% de reposição na última negociação do dia 20, somente 0,3% acima da inflação e já anunciaram que não pretendem fazer nenhuma proposta superior.

Direções governistas - A postura da diretoria dos sindicatos da CUT beneficia somente o governo e os banqueiros.  A data base foi 1° de setembro e até agora não houve mobilização pra valer, apesar das várias negociações gerais e especificas que já ocorreram. Nelas, os banqueiros mantiveram uma postura intransigente e os bancários não tiveram oportunidade de discutir os rumos da campanha ou propor um calendário de luta.

A lógica é que uma campanha fria e demorada pode levar a categoria a aceitar mais facilmente uma proposta rebaixada ao ficar refém da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), pois todos estão endividados. Além disso, perdem a oportunidade de unificar a greve com os trabalhadores dos Correios, por exemplo, e aumentar a pressão sobre o governo.

Marcar a greve já - Por isso, a CSP-Conlutas defende que assembléias sejam realizadas e que a data da greve seja marcada imediatamente. Só a luta pode fazer com que os banqueiros percebam que é possível sim atender o que a categoria quer.

Não há motivos para não adiar mais o início da greve da categoria:

· O lucro médio dos bancos cresceu 19%, enquanto nossos salários acumulam perdas de 98,62% na CEF, 86,68% no BB e 26% nos privados.

· Em setores que lucram menos, categorias fizeram greve e arrancaram acordos positivos como é o caso de metalúrgico de São José (10,8% + abono de R$3.000,00) e construção civil de Belém (10% a 14%).

· Apesar de a lei estabelecer a jornada de seis horas e haver decisões judiciais favoráveis, os bancos continuam desrespeitando esse direito.

· Mesmo batendo recordes de lucro, os bancos privados continuam demitindo e há pressão da perda da comissão em todos os bancos, aumentando o assédio, as metas e as doenças profissionais.

· Novos e antigos funcionários têm direitos completamente diferentes nos bancos públicos, mesmo exercendo a mesma atividade.

Fonte: CSP - CONLUTAS

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