domingo, agosto 26, 2012

Governo encerra negociações com grevistas pelo País


Representantes tem até terça-feira (28) para assinarem os acordos de reajuste
Da Agência Brasil

  • Representantes do Governo e dos sindicatos à mesa de negociação
    Sergio Mendonça, secretário do Ministério do Planejamento, negocia com servidores de Ciência e Tecnologia (Antônio Cruz / ABr)

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O governo encerrou neste domingo (26) as rodadas de negociações com os servidores públicos federais em greve. O Ministério do Planejamento deu prazo até a próxima terça-feira (28) para que os representantes das categorias assinem os acordos concordando com o reajuste de 15,8%, dividido em três anos, proposto pelo governo.

As categorias que não concordarem ficarão sem aumento. Apesar de os trabalhadores saírem das negociações insatisfeitos com o percentual oferecido pelo governo, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, disse estar confiante de que a maioria das categorias vai assinar o acordo.

— Encerramos esse longo processo de negociação. Amanhã e terça-feira vamos aguardar os retornos e estamos estruturando os projetos de lei daquelas categorias que estão aceitando fazer o acordo com o governo. Tivemos a sinalização de diversas categorias que vão topar.
Desde março, quando foi iniciado o processo de negociação salarial, foram mais de 200 reuniões para discutir o reajuste dos servidores com mais de 31 entidades sindicais. Apenas neste final de semana foram realizadas 12 reuniões com representantes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), dos controladores de voo, da Aneinfra (Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura), trabalhadores da área de ciência e tecnologia e do Itamaraty.

No próximo dia 31 termina o prazo para o envio do Orçamento ao Congresso Nacional, com a previsão de gastos com a folha de pagamento dos servidores para 2013.

Até o momento, só as negociações com a área da educação, segmento considerado estratégico e prioritário pelo governo, foram resolvidas. Apenas a Proifes (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições de Ensino Superior), que representa a minoria dos docentes federais, e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras), representante dos técnicos administrativos universitários, aceitaram a proposta do governo.

Para os professores universitários, a proposta acordada foi de reajustes que variam entre 25% e 40%, nos próximos três anos, e redução do número de níveis de carreira de 17 para 13. A oferta terá custo de R$ 4,2 bilhões para a folha de pagamento.

No caso, dos servidores administrativos das universidades, o impacto do reajuste será de R$ 2,9 bilhões. O acordo prevê além do reajuste "parâmetro", incentivos à titulação. Todas as propostas feitas pelo governo, se aceitas, devem onerar em R$ 18,95 bi os gastos com pessoal no período de três anos. As ofertas preveem reajustes de 15,8%, fracionados até 2015.

O Ministério do Planejamento estima que a greve envolva cerca de 80 mil servidores públicos federais. Em contrapartida, os sindicatos calculam que cerca de 350 mil funcionários aderiram ao movimento.
 
Mapa da greve dos servidores públicos federais
Paralisação atinge áreas da saúde, educação, previdência e segurança
Justiça Federal
Servidores110 mil
Em grevecerca de 50% (SP, DF, MT, RS, BA, SC)
Salário médioauxiliar (R$ 2.878)
técnico (R$ 5.176,50)
analista (R$ 8.493,50)
Reivindicações: revisão do plano de cargos e salários
e reajuste de 33% no salário
 
Polícia Federal
Servidores9.000
Em greve7.000
Salário médio de agente R$ 9.700,00
Salário médio de delegadoR$ 16.500,00
Reivindicações: reestruturação de carreira com equiparação salarial aos demais cargos de nível superior do Executivo, como auditor da Receita Federal e AGU (Advogacia-Geral da União), que terminam as carreiras com salário médio de R$ 16 mil.
 
Polícia Rodoviária Federal
Servidores9.100
Em greveApenas os agentes do Piauí
não aderiram ao movimento.
Salário médioR$ 6.800,00
Reivindicações: reestruturação salarial e da carreira, realização de novos concursos, aumento do efetivo, reconhecimento do nível superior, além do aumento dos auxílios alimentação, saúde, creche e transporte.
 
Professores de Universidades Federais
ServidoresCerca de 68 mil (56 das 59
universidades estão paradas)
Em greveNão divulgado
Salário médio R$ 8.601,00
Reivindicações: reestruturação da carreira docente, melhoria nas condições de trabalho
e reajuste salarial de 22%.
 
Funcionários de universidades federais
Servidores182 mil
Em greveSomente 30% cumpre
expediente realizando
serviços essenciais.
Salário médioR$ 1.034,59
Reivindicações: reajuste salarial de 25% e aumento do piso de 22,8%.
 
Servidores da Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social
Servidores230 mil
Em greve70 mil
Salário médio R$ 2.700,00
Reivindicações: equiparação salarial com o INSS, que tem piso de R$ 6 mil, plano de carreira
e aumento no ticket alimentação. A categoria também reivindica jornada de trabalho de 30 horas e abertura de concursos para novos servidores.
 
Analistas da Receita Federal
Servidores7,5 mil
Em greveSomente 30%
estão prestando
serviços essenciais.
Salário médioR$ 7.996,00
Reivindicações: aumento salarial de 30% para 2013 e 25% para 2014 e 2015.
 
Auditores da Receita Federal
Servidores11,5 mil
Em greveEntre 80% e 90%
aderiram a
movimento grevista.
Salário médioR$ 16.525,00
Reivindicações: reajuste salarial e recomposição da inflação de 30,19%
 
Servidores do INSS
Servidores36,1 mil
Em greveNão divulgado
Salário médio R$ 4.500,00
Reivindicações: reajuste salarial, jornada de trabalho de 30 horas semanais
e contratação de novos servidores

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