Em ato com os movimentos sociais, Hugo Chávez avalia que esquerda tomou a ofensiva, pede um Fórum Social Mundial incisivo e diz que chegou a hora de derrotar o imperialismo.
Se alguém ainda tinha dúvidas, a noite do dia 27 serviu para tirá-las: Hugo Chávez, presidente venezuelano, é o maior líder da esquerda da América Latina. Chávez subiu num palanque montado no Ginásio Poliedro pelos movimentos sociais. Houve distribuição de bandeirinhas e cartazes com sua foto para o público, rodeado de figuras históricas da luta popular como os cubanos Ricardo Alarcón (presidente do Parlamento) e Aleida Guevara (filha de Che Guevara) e de lideranças ainda não tão conhecidas do grande público, como a estadunidense Cindy Sheeman (mãe de um soldado morto no Iraque).
O venezuelano não decepcionou. Fez um discurso de esquerda, muito de esquerda. Na abertura do ato da luta antiimperialista, todo o ginásio cantou de pé "A Internacional" e Chávez começou criticando os Estados Unidos, "o império mais perverso da história". E o classificou de "cínico, por não se assumir como tal". Além disso, os Estados Unidos "falam em direitos humanos, mas mantém presos os cinco cubanos (que tiveram sua condenação anulada pela justiça estadunidense), torturam prisioneiros em Guantánamo e protegem Posada Carriles, um dos maiores terroristas do mundo", protestou.
Estratégia divisionistaPara Chávez, o império é bastante inteligente. Tenta dividir a esquerda latino-americana em duas: a dos "loucos", Chávez e Fidel Castro (Cuba), e a dos "estadistas", Lula (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina) e Tabaré Vázquez (Uruguai). "Coloco Evo Morales (recém-eleito presidente da Bolívia) no grupo dos 'loucos", brincou. De acordo com o venezuelano, uma das razões do desespero de "Mr. Danger" (senhor perigo) com a revolução bolivariana é a quantidade de petróleo que existe na região. "Mas ele está sendo usado para o desenvolvimento da Venezuela, que nunca mais será colônia dos Estados Unidos", garantiu.
Chávez falou também do grupo "Chakal", formado pelas iniciais dos presidentes Chávez, Kirchner e Lula, que está construindo um gasoduto para levar gás da Venezuela para toda a América do Sul.
Em seguida, o presidente lembrou que este grupo, unido, "enterrou a Área de Livre Comércio das Américas (Alca)", em Mar del Plata durante a Cúpula de Presidentes das Américas, realizada em novembro de 2005. Cuba não esteve nesta reunião pois, "muito democraticamente", foi excluída. "Chegará o dia em que não aceitaremos imposições como essa, depende da união entre os países. Se Cuba não puder ir, também não iremos", previu Chávez.
O presidente venezuelano comemorou a retomada da luta contra o imperialismo na América Latina e a recente vitória de Evo na Bolívia. Anunciou, ainda, um convênio com o governo boliviano, por meio do qual a Venezuela irá fornecer combustível à Bolívia, que deve pagar o governo venezuelano com produtos como a soja. "Eles não vão me pagar em dinheiro porque não têm. A Bolívia foi saqueada durante séculos". O convênio também prevê um plano de alfabetizaçao para os bolivianos que será feito pela Venezuela e por Cuba. "Serão 10 mil bolsas de estudo", prometeu.
Ofensiva
O momento que o continente americano vive é propício para que se crie uma articulação dos movimentos sociais em uma grande frente antiimperialista para derrotar a direita, disse Chávez. "Somos um só povo, caribenho e latino-americano. Só unidos poderemos vencer". No entanto, é preciso respeitar a diversidade e autonomia dos movimentos sociais.
De acordo com ele, há razões para otimismo, porque hoje o continente vive coisas que há cinco anos não existiam, como o "crescimento de um movimento de consciência e unidade dentro dos Estados Unidos, onde vive o maior terrorista do mundo, o Mister Bush", disse Chávez. "Podemos concluir que nós que lutamos por um mundo distinto estamos na ofensiva, são eles que estão em retirada!", bradou levantando o ginásio.
Chávez também falou sobre o fracasso da ocupação dos Estados Unidos no Iraque e da sua falta de sensibilidade. "Como não reconhecem a derrota que sofreram, seguem sacrificando a vida de estadunidenses e iraquianos. Exigimos que cessem as agressões ao povo do Iraque", conclamou. Os 400 milhões de dólares gastos por dia para manter os exércitos de ocupacão, poderiam ser utilizados para investir em educação, saúde e alimentacão, disse o presidente Chávez.
O Fórum Social Mundial também tem muita importância na ofensiva mundial dos movimentos sociais contra o imperialismo, disse o presidente da Venezuela, "mas não podemos deixar que ele se torne um encontro folclórico de todos os anos, uma espécie de turismo revolucionário", alertou Chávez ao convidar os líderes do Fórum a fazerem um plano de ação unitário.
Chávez afirmou que o século 21 é o século da definição, e que "não podemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje". Ele citou uma frase de Karl Marx, que, segundo ele, é mais atual do que nunca. "Socialismo ou morte! Se nada for feito agora, o capitalismo irá acabar com o planeta. Amanhã pode ser tarde demais", concluiu.
Se alguém ainda tinha dúvidas, a noite do dia 27 serviu para tirá-las: Hugo Chávez, presidente venezuelano, é o maior líder da esquerda da América Latina. Chávez subiu num palanque montado no Ginásio Poliedro pelos movimentos sociais. Houve distribuição de bandeirinhas e cartazes com sua foto para o público, rodeado de figuras históricas da luta popular como os cubanos Ricardo Alarcón (presidente do Parlamento) e Aleida Guevara (filha de Che Guevara) e de lideranças ainda não tão conhecidas do grande público, como a estadunidense Cindy Sheeman (mãe de um soldado morto no Iraque).
O venezuelano não decepcionou. Fez um discurso de esquerda, muito de esquerda. Na abertura do ato da luta antiimperialista, todo o ginásio cantou de pé "A Internacional" e Chávez começou criticando os Estados Unidos, "o império mais perverso da história". E o classificou de "cínico, por não se assumir como tal". Além disso, os Estados Unidos "falam em direitos humanos, mas mantém presos os cinco cubanos (que tiveram sua condenação anulada pela justiça estadunidense), torturam prisioneiros em Guantánamo e protegem Posada Carriles, um dos maiores terroristas do mundo", protestou.
Estratégia divisionistaPara Chávez, o império é bastante inteligente. Tenta dividir a esquerda latino-americana em duas: a dos "loucos", Chávez e Fidel Castro (Cuba), e a dos "estadistas", Lula (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina) e Tabaré Vázquez (Uruguai). "Coloco Evo Morales (recém-eleito presidente da Bolívia) no grupo dos 'loucos", brincou. De acordo com o venezuelano, uma das razões do desespero de "Mr. Danger" (senhor perigo) com a revolução bolivariana é a quantidade de petróleo que existe na região. "Mas ele está sendo usado para o desenvolvimento da Venezuela, que nunca mais será colônia dos Estados Unidos", garantiu.
Chávez falou também do grupo "Chakal", formado pelas iniciais dos presidentes Chávez, Kirchner e Lula, que está construindo um gasoduto para levar gás da Venezuela para toda a América do Sul.
Em seguida, o presidente lembrou que este grupo, unido, "enterrou a Área de Livre Comércio das Américas (Alca)", em Mar del Plata durante a Cúpula de Presidentes das Américas, realizada em novembro de 2005. Cuba não esteve nesta reunião pois, "muito democraticamente", foi excluída. "Chegará o dia em que não aceitaremos imposições como essa, depende da união entre os países. Se Cuba não puder ir, também não iremos", previu Chávez.
O presidente venezuelano comemorou a retomada da luta contra o imperialismo na América Latina e a recente vitória de Evo na Bolívia. Anunciou, ainda, um convênio com o governo boliviano, por meio do qual a Venezuela irá fornecer combustível à Bolívia, que deve pagar o governo venezuelano com produtos como a soja. "Eles não vão me pagar em dinheiro porque não têm. A Bolívia foi saqueada durante séculos". O convênio também prevê um plano de alfabetizaçao para os bolivianos que será feito pela Venezuela e por Cuba. "Serão 10 mil bolsas de estudo", prometeu.
Ofensiva
O momento que o continente americano vive é propício para que se crie uma articulação dos movimentos sociais em uma grande frente antiimperialista para derrotar a direita, disse Chávez. "Somos um só povo, caribenho e latino-americano. Só unidos poderemos vencer". No entanto, é preciso respeitar a diversidade e autonomia dos movimentos sociais.
De acordo com ele, há razões para otimismo, porque hoje o continente vive coisas que há cinco anos não existiam, como o "crescimento de um movimento de consciência e unidade dentro dos Estados Unidos, onde vive o maior terrorista do mundo, o Mister Bush", disse Chávez. "Podemos concluir que nós que lutamos por um mundo distinto estamos na ofensiva, são eles que estão em retirada!", bradou levantando o ginásio.
Chávez também falou sobre o fracasso da ocupação dos Estados Unidos no Iraque e da sua falta de sensibilidade. "Como não reconhecem a derrota que sofreram, seguem sacrificando a vida de estadunidenses e iraquianos. Exigimos que cessem as agressões ao povo do Iraque", conclamou. Os 400 milhões de dólares gastos por dia para manter os exércitos de ocupacão, poderiam ser utilizados para investir em educação, saúde e alimentacão, disse o presidente Chávez.
O Fórum Social Mundial também tem muita importância na ofensiva mundial dos movimentos sociais contra o imperialismo, disse o presidente da Venezuela, "mas não podemos deixar que ele se torne um encontro folclórico de todos os anos, uma espécie de turismo revolucionário", alertou Chávez ao convidar os líderes do Fórum a fazerem um plano de ação unitário.
Chávez afirmou que o século 21 é o século da definição, e que "não podemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje". Ele citou uma frase de Karl Marx, que, segundo ele, é mais atual do que nunca. "Socialismo ou morte! Se nada for feito agora, o capitalismo irá acabar com o planeta. Amanhã pode ser tarde demais", concluiu.
Fonte: Luís Brasilino e Tatiana Merlinoenviados especiais a Caracas, Venezuela
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