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Depois de um ano e meio de luta contra o câncer, morreu na tarde de ontem (05/03) o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O anuncio foi feito em rede nacional pelo vice-presidente, Nicolás Maduro que, juntamente com Chávez, foi eleito no último pleito eleitoral.
Chávez, que tomaria posse no último dia 10 de janeiro para mais um mandato de seis anos, foi obrigado a adia-la para retomar o tratamento do câncer. Foi necessário que o Tribunal Supremo de Justiça (corte máxima da Venezuela) autorizasse o adiamento da posse até que o presidente estivesse em condições de saúde para assumir o cargo.
Já a Assembleia Nacional concedeu permissão indefinida de ausência do país para que ele fizesse o tratamento em Cuba. De volta a Venezuela, no último dia 18, o presidente eleito foi direto para um hospital militar onde ficou internado até a sua morte nesta terça-feira.
Vice vai assumir durante os próximos trinta dias
A constituição venezuelana prevê que no caso da morte antes da posse do presidente eleito, quem assume as suas funções é o presidente da Assembleia Nacional até a realização de novas eleições em trinta dias. Entretanto, já foi anunciado pelo chanceler Elias Jaua que o vice-presidente e herdeiro político de Chávez, Elias Maduro, assumirá durante este período.
E agora, como fica o país da “Revolução Bolivariana”?
Com a morte de Chávez fica a expectativa de como será a Venezuela e o chavismo sem seu maior protagonista. Muitas são as especulações e neste momento as redes sociais estão em ebulição com discursos inflamados a favor e contra a chamada “Revolução Bolivariana”.
O fato é que o viés caudilhesco marcou os últimos 14 anos de poder naquele país. Os discursos ácidos contra os Estados Unidos e o imperialismo, e ainda os programas assistencialistas, lhe renderam o apoio das camadas mais pauperizadas da Venezuela e a admiração de amplos setores da esquerda na América Latina. Mas nada disso consegue esconder as contradições do chamado “Movimento Bolivariano”.
A posição de detentora da maior reserva de petróleo do mundo e os preços do barril em alta no mercado mundial possibilitaram a Chávez a implementação das chamadas “Misiones”, que são programas assistenciais que de fato contribuíram para redução da extrema miséria no país. Mas em contraste com isso, a Venezuela convive com uma inflação de cerca de 30% ao ano, com o desabastecimento e ainda com muitas carências nas áreas sociais (habitação, saúde e educação) que não se resolvem definitivamente com políticas assistencialistas. Em contradição com os discursos anti-imperialistas, a Venezuela continuou vendendo a maior parte do seu petróleo aos Estados Unidos e segue mantendo relações comerciais com o tio Sam e outros países imperialistas.
O chamado chavismo é uma questão polêmica na esquerda mundial. Mas, independente das distintas avaliações, a Central valoriza muito a capacidade de mobilização do povo venezuelano. Foi assim em 1989, quando uma explosão espontânea levou o povo às ruas contra os planos neoliberais do então presidente Carlos Andrés Perez (o episódio ficou conhecido como Caracazzo) e em 2002 quando derrotou a tentativa de golpe apoiada pelos EUA.
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